sábado, 9 de outubro de 2010

CONCURSO PEB II

NOVAS TECNOLOGIAS E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
José Manuel Moran, Marilda Aparecida Behrens, Marcos T. Masetto
Papirus, 2000.
Investimentos em tecnologias telemáticas de alta velocidade começam a existir com a função de conectar alunos e professores no ensino presencial e a distância. Como em outras épocas, há a expectativa de que as novas tecnologias possam trazer soluções rápidas para mudar a educação. Até que ponto, entretanto, tais investimentos não concorrerão apenas para uma panacéia "modernosa" sem afetar profundamente o desenvolvimento educacional?
Sob diversos ângulos, a finalidade deste livro é discutir a introdução da informática e da telemática na educação. No debate se inserem, entre outros emas, questões associadas a propostas de integração e utilização do computador e da Internet na escola. Numa bordagem de mediação pedagógica, as discussões convergem a uma revisão ampla do papel do professor nos dias de hoje.
Leitura essencial a professores de quaisquer níveis de ensino, este livro procura expandir o diálogo e as análises sobre investimentos e utilizações tecnológicas em educação com a perspectiva de construir novas propostas.
Sumário
Apresentação
  1. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. José Manuel Moran
  2. Projetos de aprendizagem colaborativa num paradigma emergente. Marilda Aparecida Behrens
  3. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. Marcos T. Masetto
TEMA 124
R.TEMA S.Paulo nº 47 jan./jun. 2006 P. 124 - 132
Autor e Texto
Author - Text
Antonio Carlos Gava*
O PAPEL DO EDUCADOR MEDIANTE AS
 NOVAS AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR
* Mestre em Educação. Professor das Faculdades Integradas Teresa Martin.
The Role of Educators through the New Technology of
Information and Communication in the Scholastic Context
New Technology. Education. Information. Mediation.
O artigo apresenta os desafios a serem enfrentados pelos educadores, bem
como os benefícios proporcionados pela utilização das novas tecnologias.
The article presents the challenges to be faced by educators, as well as the benefits
supplied by using the new technology.
ABSTRACT
RESUMO
PALAVRAS-CHAVE
KEY WORDS
Novas tecnologias. Educação. Informação. Mediação.
125 TEMA
Antonio Carlos Gava
O P PAPEL APEL DO EDUCADOR MEDIANTE AS
NOV NOVAS AS TECNOL TECNOLOGIAS OGIAS DE INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR
educador, como diversos outros profissionais,
também pode se beneficiar com o uso da tecnologia,
pois através de diversas fontes de informação, que podem ser
encontradas na Internet, pode-se promover a construção do
conhecimento, e não mais o professor deve ter a
responsabilidade de ser o único que detém e controla o saber.
O professor também se defrontará com novos instrumentos que
poderão apoiar seu trabalho de preparar e ministrar suas aulas,
assim como a sua maneira de se comunicar com outros
professores, alunos e com a comunidade.
Mas, assim como as tecnologias podem trazer
interessantes e novas possibilidades à sala de aula, podem
trazer também incertezas e desafios, para o processo de ensinoaprendizagem.
Portanto vai ficar evidente quais professores
estão se atualizando, e quais não. Desta forma, para adaptar
as novas tecnologias à sala de aula os professores precisam
de preparação adequada para lidar com os recursos, para
utilizarem o máximo das suas potencialidades e para
enfrentarem as questões apontadas a partir deste novo contexto.


The Role of Educators through the New Technology of
Information and Communication in the Scholastic Context
TEMA 126
Pois é importante o professor “conhecer as especificidades de
cada um dos recursos para orientar-se na criação de ambientes
que possam enriquecer o processo de aprendizagem do
aluno”.(Prado, 2002)
O papel do professor vem sofrendo mudanças e ao
mesmo tempo estão sendo agregadas novas exigências à sua
função, como empenho e dedicação para ultrapassar
obstáculos técnicos e para assimilar uma série de informações
(Word, excel, html, ftp, www, e-mail, etc).
Segundo Andréa C. Ramal espera-se um novo perfil de
educador, esta destaca três características: a) profissionais
atualizados, contextualizados no debate sobre o pósmodernismo
e suas implicações para a educação; b) usuários
críticos da tecnologia, capazes de associar o computador as
proposta ativas de aprendizagem e c) atentos aos desafios
político-sociais que estão envolvidos no contexto pedagógico
de hoje. (Ramal, 1996)
A mudança de papel nem sempre é fácil ao professor,
pois acostumado a oferecer um conteúdo por ele dominado,
poderá demonstrar uma certa insegurança para operar o
computador, diante de uma língua estrangeira ou de uma nova
informação na rede.
Diante das novas tecnologias, o professor também é
aluno, tornando-se necessário que ele aprenda a utilizá-la para
que possa fazer uso com seus alunos. Na realidade, nota-se
que o professor deve “aprender a aprender” (Behrens,2001) junto
de seus alunos, passando a ser mais um elemento da equipe
de ensino-aprendizagem lado a lado com seus alunos,
abdicando de uma certa autoridade para melhorar a relação
de professor-aluno. Para Moran:
A Internet será ótima para professores inquietos, atentos
a novidades, que desejam atualizar-se, comunicar-se mais.
Mas ela será um tormento para o professor que se
acostumou a dar aula sempre da mesma forma, que fala
o tempo todo na aula, que impõe um único tipo de
avaliação. (Moran, 2000)
127 TEMA
O professor despreparado para lidar com esses meios,
as atividades terão pouca validade pedagógica. A utilização
da informática e da Internet na escola pode correr o risco de
fechar em si mesma, isto é, no uso do computador pelo
computador. Mas, quando o professor torna-se competente no
uso dos recursos das novas tecnologias, “ele pode contribuir
na formação global do aluno que já possui um certo
conhecimento nesta área. Pode-se dizer, então, de uma
aprendizagem multidirecional em que o professor ensina o
aluno e vice-versa”. (Garcia,1997)
Então, fica claro que num trabalho que irá fazer o
uso dos recursos tecnológicos, o papel do professor de detentor
do saber deverá ceder lugar ao de um orientador, coordenador
e o incentivador da aprendizagem do aluno. Sua tarefa será a
de estimular os alunos na busca pelo conhecimento e a realizar
suas próprias descobertas, ensinado-os a coletar informações
que estão disponíveis, mas de forma seletiva, tratando-as de
forma crítica. Ele deverá agir como um atento observador que
intervém, que lança novos desafios para quebrar o equilíbrio
onde os interesses e necessidades dos educandos precisam
ser valorizados e, assim poderá contribuir com a construção
de novos conhecimentos. Para Valente “o professor deverá
realizar o papel de mediador entre o aluno e sua aprendizagem
[...]”. (Valente,1999)
O papel de mediador exercido pelos professores pode
trazer importantes ganhos para o aluno, que poderá passar a ir
à busca das informações para a concretização do seu trabalho,
ao invés de esperar por elas. Ou seja, com a orientação do
professor, o aluno poderá definir a sua linha de ação, bem como
fazer as pesquisas e consultas necessárias até a conclusão da
atividade solicitada ou sugerida por ele mesmo. Nas palavras
de Almeida:
a atuação do professor não se limita a fornecer
informações ao aluno [...]. Cabe ao professor assumir a
mediação das interações professor-aluno-computador de
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modo que o aluno possa construir o seu conhecimento
em um ambiente desafiador, onde o computador auxilia o
professor a promover o desenvolvimento da autonomia,
da criatividade, da criticidade e da auto-estima do aluno.
(Almeida, 1997)
Além de desempenhar todas essas funções acima
citadas, nota-se que o professor precisa estar sempre
despertando a curiosidade dos alunos. Ele deve passar a ser o
estimulador das curiosidades, que orienta os alunos na
navegação de diversos sites, aquele que ajuda transformar a
grande quantidade de informações acessíveis na Internet em
objetos que geram conhecimento. Como nos coloca Moran:
O professor se transforma agora no estimulador da
curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar,
por buscar a informação mais relevante. (Moran, 2001)
A curiosidade pode ser a mola impulsionadora da
aprendizagem, que não tem limites de tempo e espaço com o
uso das redes de computadores. Mas nota-se que para que
esse professor estimule a curiosidade dos alunos precisa, ele
também deve ser curioso, que nunca para de descobrir e de
aprender continuamente. Como nos coloca Dimenstein:
O bom educador é um administrador de curiosidades,
disposto a criar um aprendiz permanente. Diante da
abundância de dados acessível via banco de dados
eletrônicos, o bom professor é aquele que guia as
curiosidades, transformando-se num facilitador, auxiliando a
reflexão para que o aluno não se perca na floresta de
informações. Ele deixa de ser o único provedor de informação,
auxiliado por alguns livros, para ser o administrador da
curiosidade da criança ou do jovem. (Dimenstein, 2001)
Diante desses novos desafios, que tipo de conhecimento
e experiência é preciso ter para lidar com as possibilidades
abertas pela rede? Abaixo Maria L. Beloni enumera alguns
requisitos para o professor que pretende, ou que precisa se
lançar na rede:
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- Ter domínio do meio e conhecer suas possibilidades -
para explorar as estratégias mais apropriadas de
ensino-aprendizagem e tornar-se apto a aplicá-las, é
preciso obter colaboração e formar grupos de
trabalho capazes de navegar na rede, localizando
fontes úteis ao processo, e conhecer os mecanismos
e serviços básicos da rede;
- Conhecer, explorar e otimizar os recursos que a rede
oferece - usar a rede é relativamente simples; usá-la
para finalidades educacionais pode não ser tão
simples. Usar a rede de maneira proveitosa não
significa só estar familiarizado com os serviços
básicos. Mas saber empregá-los. Isso envolve
colaboração e formação de grupos capacitados para
o trabalho na rede;
- Ter consciência da intermediação do computador -
é essencial que as pessoas saibam os prós e contras
da comunicação intermediada pelo computador e da
dinâmica usada em um grupo de estudos ou fórum
de debates, pois para se chegar a um bom resultado
é vital saber lidar com o intercâmbio que se dá entre
as partes envolvidas no processo;
- Sem medo de usar - antes de nos juntarmos à
numerosa família de usuários da rede, devemos,
obviamente, saber operar os serviços e mecanismos
básicos da rede de computadores. Não é preciso, é
claro, ser um expert no assunto, basta ser um usuário
normal, com conhecimentos básicos suficientes para
utilizar os serviços mais comuns, como o e-mail, por
exemplo;
- Navegar é preciso, saber voltar também - para
podermos explorar as informações disponíveis na
rede, é necessário conhecermos os mecanismos de
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acesso à informação como programas que permitem
ao computador conectar e interagir com as
numerosas fontes de informação e as estratégias
de pesquisa, além de sermos capazes de recuperar
essas informações;
- Compartilhar é conceito-chave - para fornecer
informação, é preciso saber lidar com arquivos no
computador e ter conhecimentos básicos de
publicação online, ou seja, saber operar os
mecanismos e métodos para conduzir, organizar e
lidar com publicações da rede na forma de
hipertextos de fácil navegação. Se o material tiver
uma estruturação precária ou for difícil de encontrar,
o esforço para produzi-lo pode virar perda de tempo.
Não bastam boas máquinas e softwares sofisticados.
Tanto quanto ter domínio dos instrumentos, é
indispensável conhecer os critérios básicos para a
criação de paginas com estruturas de hipertexto;
- Cooperação e coordenação - na troca de
informações, o mais importante é a capacidade de
organizar e interagir com o material na rede.
Organização e a orientação do trabalho coletivo na
rede envolvem o controle da tecnologia e a
colaboração na dinâmica de comunicação indireta
que se dá através de interação e troca de pontos de
vista. Essa dinâmica exige a participação de
coordenadores para mediar os debates e atividades
do grupo. Quando a cooperação traduz a própria
estratégia de aprendizagem, como nos grupos de
estudo, o mediador deve seguir as etapas
apropriadas para facilitar a interação entre os alunos
e esforçar-se para que isso aconteça. (Beloni, 1999)
Além de saber lidar com as possibilidades da rede, o
professor precisa estar atento, refletir e intervir para que a
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interação entre os alunos contribua com a produção intelectual,
estimule a curiosidade e os leve a ultrapassar seu estágio atual
de conhecimento.
As novas tecnologias apresentam um grande leque de
possibilidades a serem testadas com o uso da Internet, vista
como um espaço onde há relações, trocas e construções entre
as pessoas, sendo que o que faz a diferença é a maneira como
o professor e aluno irão utilizar essa tecnologia. Como confirma
Agenor V. Oliveira:
[...] O uso da tecnologia deve ser visto pelo professor como
um recurso, uma ferramenta que não promove o
aprendizado por si só. Todo o trabalho deve estar
embasado no referencial pedagógico que irá dar o suporte
apropriado para o desenvolvimento do projeto educacional,
sendo a tecnologia vista como mais um recurso mediador
do processo. (Oliveira, 2001)
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ALMEIDA, Maria Elizabeth B. “O
computador na Escola: Contextualizando
a Formação de Professores”.
Tese de Doutorado. São Paulo: PUCSP,
2000.
BEHRENS, Marilda Aparecida.
“Projetos de Aprendizagem Colaborativa
num Paradigma Emergente”. In:
MASSETO, Marcos T., MORAN, José M.
Moran. Novas Tecnologias e Mediação
Pedagógica. 2º ed. Campinas, SP:
Papirus, 2001.
BELONI, Maria Luiza. “Educação a
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DIMENSTEIN, G. “Educar é Ensinar o
Encanto da Possibilidade”. 2001.
Disponível em:
http://www.aprendiz.org.br
GARCIA, Paulo S. “Redes Eletrônicas
no ensino de ciências: Avaliação
Pedagógica do ‘Projeto Ecologia’ em
São Caetano do Sul”. Dissertação de
Mestrado. São Paulo : Universidade
Mackenzie, 1997.
MASETTO, Marcos T. “Mediação
Pedagógica e o uso da tecnologia”. In:
MORAN, José M., BEHRENS, Marilda A.
Novas Tecnologias e Mediação
Pedagógica. 2º ed. Campinas, SP:
Papirus, 2001.
MORAN José Manuel. “Ensino e
Aprendizagem Inovadores com Tecnologias
Audiovisuais e Telemática”. In:
BEHRENS, Marilda A.; MASETTO,
Marcos T. Novas Tecnologias e
Mediação Pedagógica. 2ª ed.
Campinas, SP: Papirus, 2001.
OLIVEIRA, Agenor Virgínio. “Construção
de Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Baseados na Internet – Utilizando
Recursos Gratuitos”. Dissertação de
Mestrado. Florianópolis : Universidade
Federal de Santa Catarina, 2001.
RAMAL, Andréa Cecília. “Internet e
Educação. 2001”. Disponível em:
http://www.instructionaldesign.com.br.
Publicado na Revista Guia Internet.Br,
Ediouro, n.º4, 1996b.
VALENTE, J. A.(coord.). “Pedagogia de
Projetos”. Núcleo de Informática
Aplicada à Educação-NIED/UNICAMP.
Campinas, 1999.
BIBLIOGRAFIA

http://www.fatema.br/fatema/tema/tema47/Antonio%20C.%20G..pdf








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